Mulheres no Esporte é o tema da 4ª edição do evento “Você Tem Fome de Quê?”

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Mulheres no Esporte é o tema da 4ª edição do evento “Você Tem Fome de Quê?”

Nesta segunda-feira, 03/06, aconteceu a 4°edição do evento “Você Tem Fome de Quê?”, com o tema “Mulheres no Esporte”. O encontro, idealizado pela equipe de Educação do Instituto, foi realizado no polo Rocinha, reuniu cerca de 50 pessoas e teve transmissão ao vivo pelo Facebook do Reação.
As convidadas da noite foram a lutadora Kyra Gracie, pentacampeã mundial de Jiu-Jitsu; Rosangela Silveira, educadora do Promundo e pesquisadora na UFF; e Nathalia Barros, educadora na Fiocruz, onde também faz mestrado na área esportiva.

O preconceito contra as mulheres no esporte, o machismo, e as dificuldades de as mulheres serem inseridas dentro de algumas modalidades foram temas de perguntas feitas pelos alunos e convidados.

“Quando eu comecei no Jiu-Jitsu eu lutava em uma academia com vários homens e por muito tempo me questionei se o esporte era mesmo para mim. Dentro do tatame eu nunca senti preconceito de alguém vir falar para mim que eu não devia lutar, mas existia um ambiente muito exclusivo, como se aquele esporte realmente não fosse para mulheres. Eu me sentia como um patinho feio”, disse a lutadora Kyra, que encontrou resistência dentro da própria família Gracie, referência no Jiu-Jitsu, para continuar no esporte.

A dificuldade que as mulheres têm de serem respeitadas quando assumem cargos de confiança também foi um dos tópicos abordados por Rosangela, formada em Educação Física.

“Eu treinava uma equipe de futebol masculino de adolescentes na Fiocruz e em um campeonato nenhum dos outros técnicos falavam diretamente a mim. Eu era a técnica, mas eles não falavam comigo, falavam com a pessoa que estava ao meu lado, que era um homem. Foi uma situação muito constrangedora e difícil de lidar, porque não havia motivo para eles não falarem comigo. Pelo fato de eu ser mulher, os homens (técnicos) se contentavam em falar com o meu estagiário. Isso incomoda e é o que ocorre quando mulheres estão em espaços ditos masculinos”.

Um dos grandes problemas sobre a participação das mulheres em esportes, segundo Nathalia Barros, é o assédio sofrido por elas por parte dos homens, sempre mascarado de “brincadeira”. Para a ex-jogadora de futebol, o professor tem papel fundamental no combate destas práticas.

“Se você está vendo que um menino está fazendo alguma brincadeira que não é legal, como por exemplo comentar sobre o corpo da colega durante o alongamento, chama ele em um canto, conversa sobre o assunto. Não vai ser de um dia para o outro, talvez ele continue fazendo isso, mas é importante conversar. Em algum momento da vida dele, ele vai perceber que aquilo não é normal, não é aceitável”, disse Nathalia, que coordena um projeto de Rúgbi para meninas chamado “Mulheres em Campo”, na Fiocruz, em Manguinhos.

Apesar do tema “Mulheres no Esporte” ser muito amplo, é fundamental que tenhamos este espaço dentro Instituto para debatermos com nossos jovens a importância do respeito com as meninas em qualquer lugar.

Obrigado Kyra, Nathalia e Rosangela por terem enriquecido tanto o debate! Foi demais!

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