Popole Misenga vai a Tóquio treinar com japoneses e participar do Grand Slam de Osaka

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Popole Misenga vai a Tóquio treinar com japoneses e participar do Grand Slam de Osaka

A convite de um dos maiores judocas do mundo e presidente da Federação Japonesa de Judô, Yasuhiro Yamashita, o atleta congolês Popole Misenga e o sensei Daniel Loureiro, ambos do Instituto Reação, viajaram ao Japão para uma temporada de quase três semanas na terra do sol nascente. Além de treinos na Universidade de Tokai junto com os japoneses, Popole foi convidado para participar do Grand Slam de Osaka, que vai acontecer nos dias 23, 24 e 25 de novembro. A competição, uma das mais tradicionais do mundo, faz parte do calendário de eventos para a preparação das Olímpiadas de Tóquio, em 2020.

“Vir treinar no Japão era um sonho meu. Os treinos são fortes e estou aprendendo bastante para levar esses conhecimentos para meus amigos que não tiveram a oportunidade de chegar até aqui. Estou treinando com pessoas diferentes para pegar estilos diferentes e estes treinos vão me ajudar a ficar mais forte para as Olímpiadas de Tóquio”, diz o atleta do Reação.

Para o Sensei Daniel Loureiro, acompanhar Popole na viagem ao Japão também é a realização de um desejo antigo.

“Para mim também está sendo um sonho. Fui atleta a vida inteira e eu nunca tinha vindo ao Japão. E graças a ele acabei tendo essa oportunidade para conhecer a terra sagrada. Também estou muito feliz de poder ir ao Grand Slam de Osaka, que é um dos maiores campeonatos do mundo”, explica o técnico.

A oportunidade de lutar do outro lado do mundo é mais um capítulo de vitórias na história de vida de Popole, que nasceu na República Democrática do Congo, na África, país que vive uma guerra civil desde 1998. Ainda criança, ele fugiu de lá, perdeu o contato com a família e viveu a infância em um orfanato para refugiados. Em 2013, veio para o Rio de Janeiro junto com a também atleta do Reação Yolande Mabika para participar do Campeonato Mundial de Judô. Na época, foram abandonados por seus técnicos sem comida e documentos, antes da competição. Mesmo assim Popole lutou, mas perdeu o combate por falta de competitividade.

Dois anos depois, em 2015, através da Cáritas-RJ, os dois conheceram o Reação e passaram a integrar nossa equipe de atletas. No ano seguinte, Popole e Yolande participaram da Rio 2016, representando o time de refugiados da ONU, a mesma bandeira que ele vai defender no Grand Slam de Osaka, na categoria meio-pesado (100kg).

Na foto: O sensei Daniel Loureiro, Kosei Inoue e Popole Misenga.

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